Displasia Coxofemoral no Pastor Alemão

    A displasia é uma má formação da articulação coxofemoral (articulação entre o osso pélvico e o fêmur). Incide normalmente em raças de grande porte, atingindo tanto machos quanto fêmeas e pode comprometer as duas articulações.

    Essa enfermidade é transmitida de forma hereditária e controlada por mais de um gene recessivo. Devemos ter consciência de que animais tenham esse problema devem ser retirados da reprodução, para evitar a proliferação da mesma. Também é bastante influenciada pelo ambiente onde o animal vive e o tipo de manejo. Devemos evitar, nas raças predispostas, a obesidade, traumas, esforços exagerados e principalmente pisos lisos.

    Animais sintomáticos apresentam muita dor, dificuldade de locomoção além de baixa resistência do membro afetado. Normalmente os primeiros sintomas aparecem a partir dos seis meses de idade.

    Alguns animais apresentam o problema, mas são assintomáticos, mesmo quando submetidos a grandes esforços ou avaliados em exame clínico. Devido a isso, todos os animais, voltados à reprodução, passam por um exame radiológico para avaliação desta articulação.

Displasia Coxofemoral    A cabeça do fêmur deve ser perfeitamente encaixada na cavidade glenóide, havendo apenas um espaço de dois milímetros entre as duas estruturas, que é preenchido por liquido sinovial. Este líquido tem a função de facilitar e proteger a articulação entre os ossos. O esquema ao lado mostra um quadro de displasia de grau grave, onde a cabeça do fêmur esta exercendo pressão sobre uma das bordas do acetábulo.

    Quando o animal apresenta um grau de displasia como este, pode-se apresentar claudicação, dor severa e dificuldade do animal ficar em estação ou ser um animal assintomático, sem o menor sinal de displasia visível.   

    A raça pastor alemão tem uma prevalência a displasia, assim como a maioria das raças grandes como o Labrador, Rottweiler, Bernesse Mountain Dog, Dogue Alemão, Dogue de Bordeaux, Golden Retriever, entre outros. Isso ocorre devido os cães dessas raças serem pesados e terem a propulsão corporal nos membros posteriores. Em um estudo feito nos Estados Unidos com criadores que retiram da reprodução animais com displasia coxofemoral severa, o índice de animais displasicos baixou de 17% para 8,5% em cães pastores alemães com pedigree.   

    Para que se tenha a exata noção do grau de displasia de um cão, deve ser feita a radiografia da articulação coxofemoral onde, o animal deve ser sedado para realização ideal do exame. O animal deve ser colocado com as costas apoiadas na mesa de radiografia, com os dois membros posteriores estendidos e girados para dentro. O exame deve ser feito por um médico veterinário credenciado ao Colégio Brasileiro de Radiologia Veterinária (CBRV) ou órgão que o valha.

    A radiografia deve ser enviada ao CBRV ou, no caso do pastor alemão, pode ser enviada a entidade regulamentadora de displasia coxofemoral alemã. A radiografia é avaliada por três veterinários distintos, além de passar pela avaliação do índice de Norberg, onde é medido o ângulo formado entre os centros das cabeças femorais, que são ligados por uma linha, e o bordo acetabular cranial.  

A displasia coxofemoral tem a sua classificação dividida em cinco graus diferentes, que são as seguintes:
·    A (HD -): sem sinais de displasia coxofemoral
Neste caso a articulação tem congruência perfeita, sem que haja falha ou afastamento da cabeça do fêmur com a cavidade glenóide. Segundo Norberg, o valor do ângulo entre o centro da cabeça do fêmur e a borda cranial do acetábulo é de aproximadamente 105 graus, como referência.
Classificação CBRV: Normal

·    B (HD + / -): articulações coxofemorais próximas do normal.
Existe uma ligeira incongruência da cabeça do fêmur em relação ao acetábulo, ou vice-versa. Segundo Norberg, o ângulo formado entre as duas estruturas é menor do que 105 graus, mas permanece acima de 103 graus, como referência. Pode haver também um deslocamento da cabeça do fêmur anormal que justifique esta qualificação.
Classificação CBRV: Quase Normal

·    C (HD +): displasia coxofemoral leve.
A cabeça do fêmur e o acetábulo apresentam uma incongruência leve onde, pode haver ou não deslocamento da cabeça do fêmur em relação às bordas do acetábulo. Segundo Norberg, o ângulo entre as duas estruturas está em torno de 100 graus, como referência. Esta classificação ainda permite ser reproduzida.
Classificação CBRV: Ainda Permitido.

·    D (HD + +): displasia coxofemoral média.
Evidente incongruência entre a cabeça femoral e o acetábulo com possível subluxação. Segundo Norberg, o ângulo acetabular é maior do de 90 graus, como referência. Presença de achatamento das bordas do acetábulo e pode haver sinais de proliferação óssea para estabilizar a articulação.
Classificação CBRV: Displasia média.  

·    E (HD + + +): displasia coxofemoral grave.
Marcadas alterações displásicas das articulações, podendo haver inclusive luxação e subluxação articular. O ângulo de Norberg, como referência, esta abaixo de 90 graus. Nota-se evidente achatamento da cabeça do fêmur, este ficando muitas vezes em formato de cogumelo, além de inúmeras proliferações ósseas.      
Classificação CBRV: Displasia grave.

    É importante salientarmos que o ângulo de Norberg é utilizado como um instrumento de medição parcial, devendo ser somado a avaliação do estado radiográfico das articulações e as alterações avaliadas e analisadas pelos médicos veterinários que fazem o laudo radiográfico. Muitas vezes temos o valor do ângulo de Norberg em uma determinada classificação e o laudo final em outra classificação. Isso é devido à somatória das análises feitas durante o processo de avaliação da radiografia.

    Os valores do ângulo de Norberg são para referência.    

    A displasia coxofemoral deve ser controlada e diminuída em níveis aceitáveis pelos criadores da raça. Em paises como Alemanha, Itália e Estados Unidos, o controle desta, como de outras doenças relacionadas a hereditariedade, tem um rígido controle.

    Em nosso canil, mantemos um controle sobre todas as matrizes utilizadas na reprodução assim como em todos os reprodutores utilizados por nós.  É exigido, no ato da cobertura da fêmea, uma cópia do pedigree do padreador para ser comprovado o exame radiológico do animal assim como o seu resultado.